Embolada Nascedouro

Gabriela Mutti
Dentro de cada embolada
existe semente dourada,
só vê quem está disposto a encarar
todas as paradas
chutando pedra ou pulando vala.

Versada na poesia da brincadeira,
corre Cotia,
de noite ou de dia,
embaixo da cama só tem
monstro que acorda pra puxar
dedinho do pé de quem arruma briga.

Embolada solta pra quem dança
e pede outra.

Vai aprender a tocar instrumento,
só assim para não perder o ritmo aqui de dentro (coração).
Quer rima?!
Faça a sua!
Embolada aqui é jazz de rua.

Batuque de barriga,
palma de mão,
batida de pé.
Quebra a cara,
mostra os dentes
e siga na fé.

Suor e sangue,
presente constante,
até entrar na esquina da morte súbita,
essa é a famosa: paranoia delirante.

Fotografía. Mascarado Cachorro Solto, Gabriela Mutti, 2024